segunda-feira, 29 de março de 2010



Muitas têm sido as dúvidas de diversas pessoas sobre como deveria ser a alimentação de quem se propõe à prática de desportos, tanto como forma de competição quanto de lazer. Antes de mais nada, é importante se estabelecer a diferença entre o atleta e o desportista. Na prática, temos visto muitas pessoas buscando orientação dietética específica para atletas quando, na verdade, são apenas praticantes de atividades físicas sem objectivo de competição.


- Atleta é aquele que recebe um treino direcionado para um objetivo específico, ou seja, busca um condicionamento físico que leve a uma melhoria de performance em uma modalidade desportiva específica, normalmente com intenção de competição.


- Desportista é aquele que pratica exercícios físicos por lazer e/ou pela busca de uma forma física desejada, normalmente sem objetivo de melhoria de performance ou participação em competições.

Sendo assim, o desportista dificilmente necessitará de algum acréscimo na sua alimentação normal, desde que seja essa equilibrada e adequada às suas necessidades nutricionais. O desgaste gerado pela atividade desportiva, nesse caso, é facilmente compensado por de uma boa alimentação, sem necessidade de nenhum alimento ou suplemento adicional.

Em casos de pessoas que têm peso normal ou abaixo do normal e pratiquem atividades físicas regulares, pode-se fazer um necessário acréscimo na quantidade de alimentos ingerida ao dia, como forma de repor a energia gasta durante o exercício e prevenir a perda de peso, quando esta não é desejada. De um modo geral, a atividade física, em qualquer situação, leva a uma perda de água pelo organismo, o que deve ser reposto através de uma ingestão maior de líquidos tanto durante quanto após os exercícios, como forma de prevenir desidratação.


Orientações nutricionais para melhor performance dos atletas

No caso de atletas, quando há um ritmo intenso de atividade física, com treinos regulares diários, um cuidado maior na alimentação deve ser dispensado. Algumas orientações nutricionais têm sido indicadas, por diversos estudiosos no assunto, como as de maior efeito na busca de uma melhor capacidade e resistência física dos atletas:

- aumentar a ingestão de água, pura ou na forma de sucos, principalmente durante e após a atividade física;


- consumir maior quantidade de fontes de carboidratos (massas, cereais em geral, pães etc), dando preferência para aquelas que contêm pouca ou nenhuma gordura;


- evitar gorduras sob todas as formas, tomando cuidado com a “gordura invisível” nos alimentos (maionese, embutidos de carne, queijos amarelos etc)


- não exceder no consumo de proteínas (carnes de qualquer tipo, leite e derivados, ovos etc)


- ingerir boas fontes de fibra nas refeições (cereais integrais, pão e arroz integral, cascas, talos e bagaços de frutas e vegetais, grãos com casca), uma vez que estas têm efeito de propiciar uma liberação mais lenta da glicose para o sangue, fornecendo energia ao organismo de forma gradativa, o que é extremamente favorável para o atleta;


- evitar o excesso de açúcar e/ou alimentos açucarados (o mel tem sido estudado como uma forma melhor de repor energia para o atleta do que o açúcar branco, mas é necessário observar, antes, se há alergia ao produto);


- evitar o sal em excesso, pois o mesmo aumenta a necessidade de água pelo organismo, assim como pode contribuir para elevação da pressão arterial em pessoas predispostas, o que é altamente prejudicial para o atleta;


- evitar bebidas gaseificadas (refrigerantes);


- abusar do consumo de frutas, legumes e verduras;


- ingerir leite ou similar (iogurte, coalhada ou queijo branco) em uma proporção mínima de dois copos ao dia;


- cuidado com molhos picantes e gordurosos;


- na véspera da competição, ingerir grande quantidade de massas (carboidratos) e reduzir ainda mais o consumo de gordura;


- a mesma orientação anterior serve para a reposição energética após a competição, sendo que, nesse caso, é necessário aumentar a ingestão de líquidos;


- sucos de frutas adoçados e adicionados de uma pitada de sal ou água de coco são excelentes repositores para as perdas de água e sais minerais derivadas da transpiração durante a atividade física;


- logo após a atividade, principalmente após a competição, não ingerir alimentos ricos em gordura ou proteínas, dando preferência a frutas (principalmente ácidas), hortaliças e fontes de carboidratos;


- evitar bebidas alcoólicas, principalmente próximo às competições.

Estudiosos questionam o uso de suplementos


O uso de suplementos pelos atletas ainda é questionável e há diversos estudiosos do assunto que condenam o uso dos mesmos. O principal argumento contra o seu uso é o de que não sabemos ainda quantificar, com precisão, o aumento das necessidades nutricionais geradas pelo exercício, em se tratando de vitaminas e minerais, que dê suporte para o uso de suplementos. Atividades físicas diferenciadas podem gerar necessidades também diferenciadas, e um estudo detalhado ainda precisa ser feito para validar o uso de alguma suplementação para cada caso.

Até onde se sabe, uma alimentação adequada, de boa qualidade e adaptada às necessidades do atleta (conforme orientações acima), seria capaz de fornecer todos os nutrientes necessários, mesmo que as necessidades dos mesmos estejam aumentadas. E a identificação de deficiências de nutrientes precisa ser avaliada através de exames laboratoriais, observando-se, também, características individuais.

Produtos que alegam propiciar ganho de massa muscular muitas vezes não têm esse efeito comprovadamente e, além disso, podem utilizar alguma substância de efeito altamente prejudicial, como alguns hormônios de ação anabolizante. Esses últimos têm sido indentificadas como substâncias capazes de trazer diversos efeitos adversos ao organismo, tais como: atrofia de testículos, esterilidade, calvície, câncer de rins e fígado, aumento de mama em homens etc.

Entre os suplementos, existem alguns à base de aminoácidos de cadeia ramificada que têm sido indicados erradamente para ganho de massa muscular. Na verdade, o efeito desses aminoácidos é o de reduzir o desgaste do músculo submetido a uma atividade intensa, mas o seu efeito ainda está a ser estudado. Como os aminoácidos são partes de proteínas, sabe-se que o excesso dos mesmos pode trazer conseqüências adversas ao organismo; por isso, não há ainda um consenso quanto ao uso dos mesmos para esse fim. Também não se sabe ainda se a quantidade desses aminoácidos necessária para prevenir o desgaste muscular não poderia ser obtida apenas pelos alimentos ingeridos.

Outros produtos têm sido estudados como de grande efeito para melhorar a performance dos atletas, mas ainda não há consenso entre os estudiosos da área quanto ao uso dos mesmos. Alguns suplementos ricos em carboidratos (exemplo: produtos em pó para preparo de bebidas carbonatadas), podem trazer benefício para atletas que têm um grande desgaste energético e precisam repor essa energia em curto espaço de tempo; nesse caso, podem ser usadas após a atividade física, mas nunca substituindo as refeições principais. Porém, uma combinação adequada de alimentos substitui perfeitamente esses produtos.

Finalizando, é importante lembrar que, antes de lançar mão de algum complemento alimentar ou suplemento, é necessário um levantamento de suas necessidades, o que é feito através de exames clínicos e análises laboratoriais. O uso de suplementos sem orientação pode trazer grandes prejuízos à saúde, além de gerar desperdício de recursos, uma vez que nem sempre estes produtos têm realmente o valor a eles atribuído.

Como orientação final, tanto atletas quanto desportistas devem procurar um profissional que lhes dê orientação específica antes de fazerem qualquer modificação na sua alimentação normal.




terça-feira, 23 de março de 2010



O tempo e o hábito levam muitas vezes a aceitar como verdades eternas certas proposições científicas, ou seja, acabou a época da “achologia”. O espírito de pesquisa deve tornar-nos vigilantes em relação a estas “coisas” estabelecidas, permitindo-nos a contestá-las quando contradizem a lógica.

A fisioterapia tem atuado nas lesões tendíneas primeiramente com medidas preventivas das lesões atribuídas pela técnica inadequada de treinamento, material incorreto, periodização dos treinamentos, além de calçados inadequados e hábitos esportivos, mas, principalmente, os trabalhos preventivos da fisioterapia são direcionados ao desequilíbrio muscular e também as respostas sensório motoras, afetadas por qualquer lesão esportiva.

O tratamento fisioterápico das lesões tendíneas baseia-se na atuação dos meios físicos, como calor, frio e correntes elétricas, com objetivo de amenizar quadros inflamatórios decorrentes de lesões agudas sendo elas traumáticas ou por sobrecarga.

A aplicação do L.A.S.E.R. tem sido bastante difundida em nosso meio, principalmente pela sua eficácia na ação aguda das tendinites, atuando no reparo tecidual. O ULTRA SOM talvez seja a técnica fisioterápica mais utilizada nos tratamentos das tendinites, em virtude dos resultados fisiológicos que são proporcionados, ou seja, a vasodilatção pré capilar causada pelo efeito de cavitação eliminando algumas substâncias inflamatória e consequentemente a diminuição do quadro inflamatório dos tendões e também a aumento da síntese do colágeno.

Outro benefício que o ultra som pode trazer é através da fonoforese que consiste no uso tópico de antinflamatório em forma de cremes ou pomadas associado ao ultra som com efeitos bastante satisfatórios. As correntes analgésicas como o TENS, vem como um tratamento de dor que é singular, pois exerce sua função analgésica ativando mecanismos de controle internos do sistema nervoso.

Portanto não é de se surpreender que TENS se tornou um método para tratamento amplamente utilizado nas síndromes de dor. Após um estudo mais prolongado e controle de placebos se tornou óbvio que o tratamento TENS não era uma panacéia, e que seu efeito analgésico frequentemente declinava rapidamente com o tempo.

A iontoforese é a associação de medicamentos com a corrente terapêutica, também um excelente coadjuvante nos tratamentos das tendinites. Os exercícios de fortalecimento visam o reequilíbrio muscular e principalmente a tolerância dos músculos ao esforços, preparando-os para a atividade a ser exercida e assim propiciar a resistência à fadiga, acompanhado dos alongamentos das musculaturas envolvidas, e finalizando com os trabalhos proprioceptivos que caracterizam-se pelo gesto esportivo realizado repetitivamente até que a resposta aferente dos mecanorreceptores localizados nos tendões, informem o posicionamento do membro no ato do golpe trazendo a estabilidade apropriada para este momento.

Não esquecendo da atuação da crioterapia nas tendinites, o gelo é um parceiro constante dos atletas e esportistas em geral, pois amenizam intercorrências da sobrecarga de treinamentos e lesões traumáticas, mas não podemos deixar de registrar que o maior efeito da aplicação de gelo, é o efeito reativo do mesmo, ou seja, a vasodilatação reflexa onde teremos como objetivo a eliminação de substâncias inflamatórias.

Atualmente, a participação efetiva do fisioterapeuta nas competições esportivas traz o benefício da atuação mutidisciplinar em prol do esporte, tendo em vista que condutas fisioterápicas no pronto atendimento minimizam as consequências desastrosas de uma lesão e, consequentemente, prolongando a carreira de um atleta que tem sua iniciação de maneira tão precoce.



Bons hábitos alimentares são importantes para praticantes de atividade física e atletas aumentarem ou manterem o desempenho esportivo, tendo sempre que ser levado em consideração um programa nutricional específico que pode variar de acordo com o sexo, idade, composição corporal, tipo, intensidade, freqüência e duração do exercício.

Entretanto, vários estudos de levantamento de consumo alimentar entre esportistas apontam adequação alimentar. Dados indicam um baixo consumo de carboidratos em ambos os sexos em diferentes modalidades esportivas.

Especialmente para atletas e praticantes de atividade física do sexo feminino, o consumo de energia é freqüentemente descrito como baixo, em relação à idade e ao peso corporal, quando comparado às recomendações nutricionais. Mulheres, normalmente, limitam o consumo energético e de carboidratos para reduzir o peso corporal, entretanto, um consumo insuficiente pode facilmente induzir problemas relacionados com a nutrição, os quais são incompatíveis com a saúde e o ótimo rendimento.

É sabido que baixa ingestão de carboidratos, além de comprometer o desempenho físico, pode diminuir a capacidade de recuperação de micro lesões pós-treino, afetar o estado imunológico com maior predisposição à infecções e induzir à perda de massa magra (músculos).

No que diz respeito ao consumo de vitaminas, mostrou-se satisfatório, com exceção do ácido fólico entre as mulheres. Mulheres ativas parecem ser mais predispostas a apresentar baixos níveis de folato que homens ativos, principalmente, devido à baixa ingestão alimentar.

Na maioria dos estudos, o consumo de minerais julgados como inadequados foram cálcio, magnésio, zinco entre ambos o sexos e ferro, especialmente, entre as mulheres. Vale lembrar que vitaminas e minerais participam de processos importantes relacionados à atividade física como contração, reparação e crescimento muscular, defesa antioxidante e reposta imune.

Mediante este contexto, é fundamental que atletas e praticantes de atividade física do sexo feminino e masculino incluam em sua rotina alimentar o consumo de leite e derivados, sardinha em lata, peixes enlatados com partes ósseas (fontes de cálcio), castanha-do-Pará, nozes, feijão, cereais integrais, mel, atum e banana (fontes de magnésio) e carnes em geral, gema de ovo, aveia, lentilha, soja, leite, peixes e mariscos (fontes de zinco).

Sendo que as mulheres ainda devem ficar atentas à ingestão de hortaliças folhosas verde escuras, grãos, nozes, pães e cereais integrais (fontes de ácido fólico) e carnes em geral, fígado, peixes sardinha, ovo, lentilha, feijões, vegetais folhosos verde escuros (fontes de ferro), de preferência acompanhada da ingestão de alimentos fontes de vitamina C (laranja, tomate, goiaba, cajú, acerola, morango, pimentão) que aumenta a absorção deste mineral.

Não esquecer também de alimentos fontes de diferentes tipos de carboidratos (pães, batatas, mandioca, arroz, cereais, polímeros de glicose, bebidas esportivas, etc) que deverá ser realizada de acordo com o momento de consumo (antes, durante e/ou após) a prática esportiva.

Sugere-se o planejamento de condutas e escolhas alimentares adequadas, preferencialmente, monitoradas por um nutricionista a fim de garantir que a nutrição não seja um fator limitante no rendimento e na saúde.

Referências Bibliográficas:
Journal of the American Dietetic Association, 91 (1): 29-33, 1991.
Journal of Sports Medicine and Physical Fitness, 39 (4): 355-360, 1999.
Nutrire, 29: 121-140, 2005.
Nutrition, 23: 404-411, 2007.
Medicine and Science in Sports and Exercise, 32 (3): 659-668, 2000.
Rev Nutr Campinas, 20 (6): 681-692, 2007.
Estratégias de Nutrição e Suplementação no Esporte, 2005.